FENPROF entregou no ME propostas para uma revisão global do ECD
»» Propostas para introdução de alterações ao ECD
Na reunião
realizada estaquarta-feira, dia 20 de Janeiro, no Ministério da
Educação, a FENPROF apresentou uma proposta global que visa rever
diversos aspectos do ECD, para além dos que foram considerados no
âmbito do acordo de princípios assinado em 7 de Janeiro.
O destaque foi para o grave problema do regime e horários de trabalho.
Na abordagem feita pela FENPROF, são identificadas as incorrecções e
distorções que a anterior equipa ministerial, em 2007, introduziu no
ECD sobre a organização dos horários de trabalho, levando a que os
professores se sujeitem, hoje, a horários que vão muito para além das
35 horas semanais legalmente estabelecidas. Para além do aspecto legal,
esta situação leva a que os horários de trabalho dos docentes,
actualmente em vigor, sejam pedagogicamente incorrectos e inaceitáveis.
Para além das horas lectivas atribuídas aos docentes, foi institucionalizada uma "componente" que não tem enquadramento legal
em
sede de ECD, supostamente destinada a "outras actividades", mas que, na
verdade, se destina a mais actividades lectivas. Além disso, o ME transferiu para a componente não lectiva de estabelecimento, actividades que são lectivas,
tais como o apoio ao estudo, a substituição de docentes, os apoios
pedagógicos, as tutorias, o apoio a alunos para quem o português é
língua não materna e as coadjuvações.
Se o que antes se referiu já levou a uma redução efectiva do tempo
do professor para o seu trabalho individual (preparação de aulas,
correcção de testes, elaboração de textos, bem como de materiais
pedagógicos?), o problema agravou-se quando a quase totalidade do tempo
sobrante da componente individual de trabalho dos docentes foi ocupada
com a participação em reuniões nas escolas, que, apesar de não terem
carácter ocasional, foram ilegalmente tratadas como tal.
Sobre o regime e horários de trabalho, a FENPROF apresentou
um conjunto largo que propostas. Tal documento, contudo, não se limitou
ao problema dos horários, tendo a FENPROF apresentado, igualmente,
propostas sobre direitos profissionais, formação de professores e de educadores de infância (nas suas vertentes inicial, contínua e especializada), concurso de pessoal docente (incluindo sobre vinculação de docentes contratados e profissionalização em serviço), organização e reestruturação da carreira docente, aposentação, regimes de faltas, férias, licenças e dispensas e também sobre equiparação a serviço docente efectivo.
Por fim, a FENPROF propôs a abertura de um processo negocial que
vise estabelecer um regime de faseamento que permita, a todos os
professores, num período de tempo a definir, recuperar o tempo de serviço que os regimes de transição entre carreiras, aprovados unilateralmente pelo Governo em 2007 e 2009, retirou aos professores.
PROPOSTAS PARA TRANSCRIÇÃO LEGAL DO ACORDO DE PRINCÍPIOS
Nesta reunião, a FENPROF também já apresentou, como se encontrava
previsto, um conjunto de propostas que visa, na transcrição legal do
acordo de princípios assinado em 7 de Janeiro, p.p., evitar problemas,
tais como perdas de tempo de serviço ou ultrapassagens em tempo de
serviço, assim como clarificar aspectos que, transitoriamente, terão de
obter uma resposta específica. Nesse conjunto, constam aspectos como a
transição de docentes na carreira em alguns escalões/índices, a
progressão dos docentes ainda em 2010, os efeitos da nova carreira na
aposentação, a majoração de classificações, a mobilidade entre o
continente e as regiões autónomas, ou os efeitos de graus académicos
adquiridos pelos docentes e que ainda não produziram efeitos na
carreira.
Ficou prevista nova ronda negocial para a quarta-feira dia 3
de Fevereiro, nela se aguardando as contrapropostas do ME às propostas
que foram agora apresentadas pela FENPROF.
Entretanto, na próxima sexta-feira, dia 22 de Janeiro, reúne, em Lisboa, o
Secretariado Nacional da FENPROF
que fará um balanço dos processos negociais em curso, dos plenários de
professores que, um pouco por todo o país, têm sido realizados e
definirá as linhas de actuação sindical para o futuro próximo, quer no
que respeita à continuação das negociações, quer à acção sindical dos
professores, cuja iniciativa mais próxima será a participação na Manifestação Nacional da Administração Pública prevista para o próximo dia 5 de Fevereiro.
A presença dos professores nesta manifestação é de grande importância,
tanto mais que se sabe que alguns dos aspectos mais negativos da sua
carreira (por exemplo, as quotas da avaliação e a não contagem de 2
anos e 4 meses de tempo de serviço) são problemas gerais da
Administração Pública, cuja resolução exige a intervenção da própria
Assembleia da República.
O
Secretariado Nacional da FENPROF
20/01/2010
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