Os recentes dados do relatório PISA (programa internacional de avaliação de alunos da OCDE nas áreas de leitura, matemática e ciências) voltam a colocar em evidência as profundas assimetrias e desigualdades territoriais no acesso a uma educação de qualidade em Portugal. Em relação ao Alentejo registam-se resultados preocupantes, que não surgem por mero acaso nem se podem justificar por incapacidades intrínsecas das comunidades escolares. Elas são o reflexo direto de décadas de opções políticas e económicas desastrosas que abandonaram a Escola Pública e o território alentejano, o que leva a que, no Alentejo, as taxas de risco de pobreza e de privação material sejam superiores à média nacional.
A pretexto de uma pretensa racionalização administrativa e promovendo uma gestão escolar gestionária de cariz neoliberal, encerram-se ao longo das últimas décadas, centenas de escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico. Esta opção política empurrou milhares de crianças para centros escolares megalómanos e distantes. Por todo o Alentejo há um elevado número de crianças e jovens que passam diariamente horas exaustivas em transportes escolares, quando antes, com escolas de proximidade, tinham um melhor e mais atempado acompanhamento familiar. Este tempo roubado ao descanso, ao brincar e ao estudo em família penaliza diretamente as aprendizagens e destrói o bem-estar dos alunos.
A degradação dos indicadores do PISA no Alentejo está também ligada ao contexto social: é uma região marcada por baixos rendimentos familiares, precariedade laboral e pela ausência crónica de serviços e infraestruturas básicas de apoio às populações. O encerramento das escolas de primeiro ciclo representou, em muitos locais, o golpe final na vida comunitária e, por conseguinte, uma verdadeira depressão cultural e isolamento social. Sem redes de apoio público e investimento educativo estruturado, a Escola Pública deixa de conseguir contrariar, por si só, as profundas assimetrias socioculturais do território.
Na origem dos fracos resultados do PISA no Alentejo está também a grave crise da profissão docente. A região sofre com o envelhecimento acelerado do corpo docente, agravado por uma precariedade laboral persistente que afasta os jovens da profissão. Os professores colocados longe de casa praticamente não dispõem de apoios às deslocações ou à habitação, o que torna a fixação de quadros uma miragem e resulta na falta crónica de docentes durante vários momentos dos anos letivos. Sem estabilidade do pessoal docente, quem mais sofre é a continuidade da aprendizagem dos alunos.
Para o Sindicato dos Professores da Zona Sul, cuja área de intervenção é todo o Sul do país, os estudos e o trabalho realizado nesta área territorial, mostram que os fracos resultados no PISA não são responsabilidade dos professores nem das famílias: são a fatura do desinvestimento do Estado.
Portanto, exige-se uma viragem política que traga o reforço dos apoios socioeducativos, a valorização e estabilização da carreira docente, e a garantia de que a educação no Alentejo seja um direito universal de proximidade, e não um privilégio condicionado pela geografia.
A DIREÇÃO DO SPZS