A publicação dos rankings escolares em 2026 voltou a colocar em evidência as fragilidades de um sistema de avaliação ineficaz, ultrapassado e criador de ilusões. Num ano em que os exames nacionais do secundário decorreram entre fortes polémicas e dificuldades, que colocaram em causa a credibilidade das classificações, e em que as provas ModA se realizaram em más condições, comprometendo a organização pedagógica das escolas, o MECI insiste em tornar públicos dados duvidosos e daí, a indução de conclusões desfasadas da realidade.
Ninguém pode garantir, depois da novela infindável dos exames nacionais do ensino secundário, a fidedignidade dos resultados. Bastava este falhanço caótico para saber que os rankings não têm qualquer sentido.
Os rankings realmente representam as assimetrias sociais, não a qualidade educativa; baseiam-se em exames que hierarquizam alunos, escolas, professores, regiões, comunidades e áreas disciplinares. Reduzem os currículos, marginalizam competências essenciais, fomentam a indústria das explicações privadas, geram desigualdade de oportunidades. Criam classificações redutoras e injustas do desempenho dos alunos, originam efeitos perversos nas prioridades dos currículos disciplinares e minam a credibilidade da avaliação.
O SPZS, depois de uma apurada reflexão e análise com os docentes, confirma que os exames nacionais continuam a hierarquizar e a eliminar, nomeadamente na Zona Sul, de Portalegre a Faro, refletindo a origem socioeconómica dos alunos e não o valor real do trabalho pedagógico das equipas e profissionais da educação. Continuam a ser incentivo à competição em vez de cooperação, estimulam o individualismo, desvalorizam a avaliação contínua e estigmatizam o trabalho dos professores na Escola Pública.
A estratégia Portugal 2030 prevê 55% dos alunos do ensino secundário na via profissionalizante, contudo, cerca de 40% do ensino secundário em Portugal já é desta via. A taxa destes alunos a realizar exames nacionais situa-se entre 15% e 22%, o que permite concluir a grande falta de objetividade dos rankings e da avaliação das escolas que eles supõem e projetam, tanto mais que a maior parte do trabalho desenvolvido pelos profissionais de educação e dos alunos está fora do seu âmbito.
Os rankings continuam a alimentar preconceitos ideológicos, promovem a narrativa infundada de que o privado é superior ao público, contribuindo para promover o negócio da educação à custa dos dinheiros públicos. Aliás, quando se comparam desempenhos de alunos com o mesmo contexto económico e cultural, não existem diferenças estatisticamente significativas entre o ensino público e o privado, o que demonstra a falta de verdade quando se põe em causa a eficácia do ensino público.
O SPZS considera que, frente aos cortes previstos no investimento na Educação, o caminho tem de ser o oposto: reforçar e valorizar a Escola Pública como garante de igualdade de oportunidades, de redução e eliminação de assimetrias socioeducativas.
A DIREÇÃO DO SPZS