A carta começa com uma referência muito inteligente, em primeiro lugar às professoras e em segundo aos professores; Cara Professora, Caro Professor. Esta carta e outras que a antecederam, fazem parte de uma comunicação política altamente estratégica, à semelhança das “Conversas em Família” de Marcelo Caetano, que chefiou o governo entre 1968 e 1974).
A função principal destas cartas é tentar convencer os professores de que se está a humanizar o regime imposto pelo neoliberalismo na área da educação e a legitimar a política de “renovação na continuidade” perante a opinião dos professores tentando criar uma ligação afetiva com a classe docente e projetar a imagem de um “pai da nação educativa” moderno e acessível.
Aqui estão os objetivos fundamentais dessa estratégia:
– Doutrinação e explicação política;
– Explicar as decisões do Governo de forma simplificada e acessível;
– Apresentar a sua versão dos factos sem o contraditório de jornalistas ou da oposição dos sindicatos.
-Tentar isolar as vozes críticas dos sindicatos em relação às reais intenções do MECI.
Esta carta enviada aos professores a quatro dias de uma manifestação cuja mobilização está em crescendo, não passa de marketing político para justificar a vida de um governo que dá sinais de estar muito preocupado com a manifestação dos professores para o dia 16 de maio.
O Ministro sublinha a realização de “dezenas de reuniões,” no entanto, as propostas fundamentais dos professores não têm sido efetivamente integradas nos encontros com os sindicatos da Fenprof.
Esta é mais uma manobra para tentar convencer a classe docente de que não vale a pena ir para a rua, serve fundamentalmente para tentar desmobilizar os professores, numa altura em que a máscara do governo e do ministro está a desfazer-se cada vez mais.